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Blog · Gestão do negócio · Restaurantes e delivery

Como precificar no iFood? Quanto repassar da taxa sem perder venda

João Sande Por João Sande, fundador da Sande Labs · 5 de outubro de 2026 · 7 minutos de leitura
Resposta curta: pra cobrir a taxa inteira, divida o preço do balcão por 1 menos a taxa, em vez de somar a porcentagem. Depois, decida item por item: repasse menos no prato que o cliente compara com o vizinho e mais no que ele não compara. Por fim, teste por quatro semanas, olhando o que sobra no fim do mês, não só quantos pedidos entraram.

O dono da pizzaria abre o portal do iFood.

Vê a comissão. Pega a calculadora.

"A taxa é 15%? Então aumento 15% no app e pronto."

Parece certo. Não é.

Fazendo assim, ele continua pagando parte da taxa do próprio bolso, em todo pedido, sem perceber.

Se você já entendeu que o iFood vale como vitrine (a Sande Labs explicou isso em Vale a pena sair do iFood?), falta a parte prática: o preço.

A resposta depende de três coisas:

  1. A conta certa pra cobrir a taxa.
  2. Quanto repassar, item por item.
  3. Como testar o preço sem perder pedido.

1. A conta certa: dividir, não somar

Primeiro, o tamanho da taxa.

Segundo a página oficial do iFood para parceiros, de junho de 2026, o app fica com 12% no plano Básico (você entrega) e 23% no plano Entrega (o entregador é do app).

Quando o cliente paga pelo aplicativo, entram mais 3,2%.

Então, com pagamento pelo app: 15,2% no Básico e 26,2% no Entrega.

Agora o detalhe que quase todo mundo erra.

A taxa não é cobrada sobre o preço antigo. É cobrada sobre o preço novo, já com o aumento.

Pensa num sócio que leva 15% de tudo o que entra no caixa. Se você aumenta o preço, ele também leva 15% do aumento.

Por isso, somar a porcentagem não fecha a conta.

Um exemplo com números redondos, no plano Básico, pagamento pelo app.

A pizza custa R$ 75 no balcão. Você quer receber os mesmos R$ 75 pelo iFood.

Somando 15,2%: a pizza vai pra R$ 86,40. O app fica com R$ 13,13. Sobram R$ 73,27.

Faltou R$ 1,73. Em todo pedido.

Dividindo: R$ 75 dividido por 0,848 (que é 1 menos 0,152) dá R$ 88,45. O app fica com R$ 13,44. Sobram R$ 75,01, o preço do balcão inteiro.

Parece pouco. Mas no plano Entrega, onde a taxa é maior, a diferença por pedido quase triplica.

Tabela pronta pra copiar

Preço no app = preço do balcão dividido pelo número abaixo.

  • Plano Básico, pago pelo app (15,2%): dividir por 0,848.
  • Plano Básico, pago na entrega (12%): dividir por 0,88.
  • Plano Entrega, pago pelo app (26,2%): dividir por 0,738.
  • Plano Entrega, pago na entrega (23%): dividir por 0,77.

Antes de usar, confira no seu repasse as taxas do seu contrato. Elas podem mudar por região e por plano.

Essa conta mostra o preço que cobre a taxa inteira.

Mas cobrir tudo, em todo item, nem sempre é a melhor ideia.

2. Quanto repassar, item por item

Pensa na prateleira do mercado.

O cliente sabe de cabeça o preço do arroz e do café. Repara se subiu um real.

Já o preço do tempero, quase ninguém sabe.

No iFood é igual. Seu cardápio aparece na mesma tela que o do vizinho.

O item que o cliente compara é o carro-chefe: a pizza grande, o combo, o prato do dia. Se ele ficar bem mais caro que o do concorrente, você some da escolha.

Bebida, sobremesa, borda recheada e adicional, quase ninguém compara.

Então dá pra dividir assim:

  • Carro-chefe: repasse parcial, pra ficar perto do preço dos vizinhos.
  • Complementos: repasse completo, ou um pouco mais, pra compensar.

No fim, o pedido inteiro cobre a taxa, mesmo que a pizza sozinha não cubra.

O passo de amanhã, sem ferramenta nenhuma

Abre o iFood como cliente, no seu endereço.

Procura os 5 concorrentes mais parecidos com você e anota o preço do item que mais vende em cada um.

Agora compara com o seu preço calculado pela tabela.

Se ficou parecido, ótimo, repasse completo. Se ficou muito acima, esse é o item do repasse parcial.

E o cupom do iFood?

É o que segura o cliente mesmo com o preço mais alto.

Cupom de primeira compra e frete grátis fazem a conta do cliente fechar, mesmo pagando um pouco mais pela pizza.

Só que nem todo desconto é pago pelo app. Algumas promoções saem da sua margem.

Antes de entrar em qualquer uma, confira no portal do parceiro quem banca o desconto. E refaça a conta da tabela com ele incluído.

Com o preço montado, falta saber se ele funciona na vida real.

3. Como testar sem perder pedido

Preço é que nem chuveiro a gás.

Você gira um pouquinho, espera a água chegar, e só então sente se ficou bom.

Quem gira tudo de uma vez se queima ou congela.

Com preço, a regra é a mesma: muda pouco, espera, mede.

Anota, durante quatro semanas, toda segunda-feira:

  • Quantos pedidos entraram pelo iFood na semana.
  • O valor do repasse que caiu na conta.
  • O custo dos produtos vendidos (ingrediente e embalagem).
  • O que sobrou: repasse menos custo.

A última linha é a que importa.

Se o preço subiu, os pedidos caíram um pouco e a sobra aumentou, o ajuste deu certo.

Se os pedidos despencaram e a sobra caiu junto, passou do ponto. Volta um pouco no carro-chefe.

E evita mudar tudo junto. Mexe no preço, espera quatro semanas, depois mexe de novo.

Juntando as partes

A conta certa mostra o preço que cobre a taxa inteira.

A comparação com o vizinho mostra onde repassar tudo e onde segurar.

E o teste de quatro semanas mostra se o equilíbrio entre margem e quantidade de pedidos está bom pro seu negócio.

Um passo leva ao outro. Sem a conta, você nem sabe quanto está deixando na mesa.

Então, como precificar no iFood?

Começa hoje pela tabela.

Pega os 10 itens que mais vendem, divide o preço do balcão pelo número do seu plano e anota do lado o preço que está hoje no app.

A diferença entre as duas colunas é o que você paga do próprio bolso em cada pedido.

Amanhã, olha os vizinhos e decide onde repassar tudo.

E lembra: o preço certo no iFood paga a vitrine. O lucro maior continua vindo do cliente que, depois do primeiro pedido, passa a pedir pelo seu cardápio digital.

Perguntas frequentes

Quanto devo aumentar o preço no iFood para cobrir a taxa?

Divida o preço do balcão por 1 menos a taxa total. No plano Básico com pagamento pelo app (15,2%, segundo o iFood em junho de 2026), divida por 0,848: R$ 75 viram R$ 88,45.

Por que não basta somar a porcentagem da taxa ao preço?

Porque o iFood cobra a comissão sobre o preço final, já com o aumento. Somando 15,2% a uma pizza de R$ 75, sobram R$ 73,27: R$ 1,73 a menos por pedido.

Posso cobrar mais caro no iFood do que no balcão?

Muitos restaurantes fazem isso pra cobrir a comissão do app. Antes de mudar os preços, confira as regras do contrato do seu plano no portal do parceiro.

Preciso repassar a taxa inteira em todos os itens?

Não. Uma saída comum é repassar menos no item que o cliente compara com o vizinho, como a pizza grande, e tudo em bebida e sobremesa. O pedido inteiro é que precisa cobrir a taxa.

Como saber se o preço no iFood está bom?

Anote por quatro semanas os pedidos, o repasse e o custo dos produtos. Se a sobra no fim do mês cresceu, o preço está bom, mesmo que tenham entrado alguns pedidos a menos.

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João Sande

Quem escreveu

João Sande, fundador da Sande LabsAdministrador de formação, MBA em Gestão de Tráfego Pago, certificado em Meta Ads e Google Ads. Mais de cinco anos de marketing digital e mais de trinta negócios atendidos.