O dono da pizzaria abre o portal do iFood.
Vê a comissão. Pega a calculadora.
"A taxa é 15%? Então aumento 15% no app e pronto."
Parece certo. Não é.
Fazendo assim, ele continua pagando parte da taxa do próprio bolso, em todo pedido, sem perceber.
Se você já entendeu que o iFood vale como vitrine (a Sande Labs explicou isso em Vale a pena sair do iFood?), falta a parte prática: o preço.
A resposta depende de três coisas:
- A conta certa pra cobrir a taxa.
- Quanto repassar, item por item.
- Como testar o preço sem perder pedido.
1. A conta certa: dividir, não somar
Primeiro, o tamanho da taxa.
Segundo a página oficial do iFood para parceiros, de junho de 2026, o app fica com 12% no plano Básico (você entrega) e 23% no plano Entrega (o entregador é do app).
Quando o cliente paga pelo aplicativo, entram mais 3,2%.
Então, com pagamento pelo app: 15,2% no Básico e 26,2% no Entrega.
Agora o detalhe que quase todo mundo erra.
A taxa não é cobrada sobre o preço antigo. É cobrada sobre o preço novo, já com o aumento.
Pensa num sócio que leva 15% de tudo o que entra no caixa. Se você aumenta o preço, ele também leva 15% do aumento.
Por isso, somar a porcentagem não fecha a conta.
Um exemplo com números redondos, no plano Básico, pagamento pelo app.
A pizza custa R$ 75 no balcão. Você quer receber os mesmos R$ 75 pelo iFood.
Somando 15,2%: a pizza vai pra R$ 86,40. O app fica com R$ 13,13. Sobram R$ 73,27.
Faltou R$ 1,73. Em todo pedido.
Dividindo: R$ 75 dividido por 0,848 (que é 1 menos 0,152) dá R$ 88,45. O app fica com R$ 13,44. Sobram R$ 75,01, o preço do balcão inteiro.
Parece pouco. Mas no plano Entrega, onde a taxa é maior, a diferença por pedido quase triplica.
Tabela pronta pra copiar
Preço no app = preço do balcão dividido pelo número abaixo.
- Plano Básico, pago pelo app (15,2%): dividir por 0,848.
- Plano Básico, pago na entrega (12%): dividir por 0,88.
- Plano Entrega, pago pelo app (26,2%): dividir por 0,738.
- Plano Entrega, pago na entrega (23%): dividir por 0,77.
Antes de usar, confira no seu repasse as taxas do seu contrato. Elas podem mudar por região e por plano.
Essa conta mostra o preço que cobre a taxa inteira.
Mas cobrir tudo, em todo item, nem sempre é a melhor ideia.
2. Quanto repassar, item por item
Pensa na prateleira do mercado.
O cliente sabe de cabeça o preço do arroz e do café. Repara se subiu um real.
Já o preço do tempero, quase ninguém sabe.
No iFood é igual. Seu cardápio aparece na mesma tela que o do vizinho.
O item que o cliente compara é o carro-chefe: a pizza grande, o combo, o prato do dia. Se ele ficar bem mais caro que o do concorrente, você some da escolha.
Bebida, sobremesa, borda recheada e adicional, quase ninguém compara.
Então dá pra dividir assim:
- Carro-chefe: repasse parcial, pra ficar perto do preço dos vizinhos.
- Complementos: repasse completo, ou um pouco mais, pra compensar.
No fim, o pedido inteiro cobre a taxa, mesmo que a pizza sozinha não cubra.
O passo de amanhã, sem ferramenta nenhuma
Abre o iFood como cliente, no seu endereço.
Procura os 5 concorrentes mais parecidos com você e anota o preço do item que mais vende em cada um.
Agora compara com o seu preço calculado pela tabela.
Se ficou parecido, ótimo, repasse completo. Se ficou muito acima, esse é o item do repasse parcial.
E o cupom do iFood?
É o que segura o cliente mesmo com o preço mais alto.
Cupom de primeira compra e frete grátis fazem a conta do cliente fechar, mesmo pagando um pouco mais pela pizza.
Só que nem todo desconto é pago pelo app. Algumas promoções saem da sua margem.
Antes de entrar em qualquer uma, confira no portal do parceiro quem banca o desconto. E refaça a conta da tabela com ele incluído.
Com o preço montado, falta saber se ele funciona na vida real.
3. Como testar sem perder pedido
Preço é que nem chuveiro a gás.
Você gira um pouquinho, espera a água chegar, e só então sente se ficou bom.
Quem gira tudo de uma vez se queima ou congela.
Com preço, a regra é a mesma: muda pouco, espera, mede.
Anota, durante quatro semanas, toda segunda-feira:
- Quantos pedidos entraram pelo iFood na semana.
- O valor do repasse que caiu na conta.
- O custo dos produtos vendidos (ingrediente e embalagem).
- O que sobrou: repasse menos custo.
A última linha é a que importa.
Se o preço subiu, os pedidos caíram um pouco e a sobra aumentou, o ajuste deu certo.
Se os pedidos despencaram e a sobra caiu junto, passou do ponto. Volta um pouco no carro-chefe.
E evita mudar tudo junto. Mexe no preço, espera quatro semanas, depois mexe de novo.
Juntando as partes
A conta certa mostra o preço que cobre a taxa inteira.
A comparação com o vizinho mostra onde repassar tudo e onde segurar.
E o teste de quatro semanas mostra se o equilíbrio entre margem e quantidade de pedidos está bom pro seu negócio.
Um passo leva ao outro. Sem a conta, você nem sabe quanto está deixando na mesa.
Então, como precificar no iFood?
Começa hoje pela tabela.
Pega os 10 itens que mais vendem, divide o preço do balcão pelo número do seu plano e anota do lado o preço que está hoje no app.
A diferença entre as duas colunas é o que você paga do próprio bolso em cada pedido.
Amanhã, olha os vizinhos e decide onde repassar tudo.
E lembra: o preço certo no iFood paga a vitrine. O lucro maior continua vindo do cliente que, depois do primeiro pedido, passa a pedir pelo seu cardápio digital.
Perguntas frequentes
Quanto devo aumentar o preço no iFood para cobrir a taxa?
Divida o preço do balcão por 1 menos a taxa total. No plano Básico com pagamento pelo app (15,2%, segundo o iFood em junho de 2026), divida por 0,848: R$ 75 viram R$ 88,45.
Por que não basta somar a porcentagem da taxa ao preço?
Porque o iFood cobra a comissão sobre o preço final, já com o aumento. Somando 15,2% a uma pizza de R$ 75, sobram R$ 73,27: R$ 1,73 a menos por pedido.
Posso cobrar mais caro no iFood do que no balcão?
Muitos restaurantes fazem isso pra cobrir a comissão do app. Antes de mudar os preços, confira as regras do contrato do seu plano no portal do parceiro.
Preciso repassar a taxa inteira em todos os itens?
Não. Uma saída comum é repassar menos no item que o cliente compara com o vizinho, como a pizza grande, e tudo em bebida e sobremesa. O pedido inteiro é que precisa cobrir a taxa.
Como saber se o preço no iFood está bom?
Anote por quatro semanas os pedidos, o repasse e o custo dos produtos. Se a sobra no fim do mês cresceu, o preço está bom, mesmo que tenham entrado alguns pedidos a menos.
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Quem escreveu
João Sande, fundador da Sande LabsAdministrador de formação, MBA em Gestão de Tráfego Pago, certificado em Meta Ads e Google Ads. Mais de cinco anos de marketing digital e mais de trinta negócios atendidos.