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Blog · Gestão do negócio · Restaurantes e delivery

Vale a pena sair do iFood? Como usar o app sem deixar o lucro lá

João Sande Por João Sande, fundador da Sande Labs · 5 de outubro de 2026 · 6 minutos de leitura
Resposta curta: na maioria dos casos, não. O iFood é a melhor vitrine pra quem ainda não conhece o seu delivery, e os cupons e o frete grátis do app fazem muita gente pedir por lá. O que vale é usar o iFood pra atrair cliente novo, com um preço que cubra a taxa, e fazer quem já gostou da comida pedir pelo seu cardápio digital, onde o preço pode ser menor e o lucro fica com você.

Todo dono de delivery já abriu o repasse do iFood e pensou: "trabalhei o mês inteiro pra isso?". A vontade de sair do app é natural.

Só que sair de vez costuma ser trocar um problema por outro. A resposta certa depende de três coisas:

  1. O que o iFood leva de cada pedido, e o que ele entrega em troca.
  2. O preço que você cobra dentro do app.
  3. Pra onde vai o cliente depois do primeiro pedido.

1. O que o iFood leva, e o que ele entrega

O iFood fica com 12% de cada pedido no plano Básico, em que você entrega com o seu motoboy, e 23% no plano Entrega, em que o entregador é do app. Quando o cliente paga pelo aplicativo, entra mais 3,2%. Os números são da página oficial do iFood para parceiros, de junho de 2026.

Numa pizza de R$ 75, isso dá entre R$ 11 e R$ 20 que ficam com o app. Parece muito, e é. Mas tem um motivo pra tanta gente pagar.

Pensa no iFood como uma loja dentro do shopping. O aluguel é caro, mas o movimento vem junto: milhares de pessoas passando na frente da sua vitrine todo dia, sem você precisar chamar ninguém. Fechar essa loja é abrir mão de todo esse movimento.

Então a pergunta não é se o aluguel é caro. É como fazer esse aluguel caber na conta. E é aí que entra o preço.

2. O preço certo dentro do app

Muito restaurante coloca o mesmo preço no iFood e no balcão, e paga a comissão do próprio bolso. Outros fazem diferente: repassam parte da taxa, ou ela toda, pro preço do app. A pizza que custa R$ 75 no seu cardápio vira R$ 85 no iFood.

"Mas aí o cliente não vai comprar." Vai, e por um motivo que pouca gente lembra: o próprio iFood vive dando desconto. Cupom de primeira compra, frete grátis, clube de vantagens. Muitas vezes, mesmo com o preço mais alto, o cliente ainda paga menos ou quase o mesmo pedindo pelo app.

O cuidado é não exagerar. Preço alto demais e você some da lista, porque o cliente escolhe o concorrente do lado. Preço baixo demais e você vende muito, trabalha muito e não sobra nada. O ponto certo é o que equilibra margem e quantidade de pedidos, e ele muda de cidade pra cidade. A Sande Labs detalha essa conta em Como precificar no iFood?

Com o preço ajustado, o app deixa de ser prejuízo e vira o que ele faz de melhor: trazer gente nova. Falta decidir o que fazer com essa gente.

3. Pra onde vai o cliente depois do primeiro pedido

Aqui está o ponto que mais pesa. No iFood, o cliente é do app. Toda vez que ele volta, você paga a comissão de novo, e o seu cardápio aparece do lado de dez concorrentes.

No seu cardápio digital, o cliente é seu. E como ali não tem comissão, dá pra fazer uma coisa que o app não deixa: cobrar menos. Aquela pizza de R$ 85 no iFood sai por R$ 75 no seu cardápio. O cliente economiza, você lucra mais, e os dois saem ganhando.

Pra ele descobrir essa vantagem, alguém precisa contar. Três jeitos simples:

  • No Instagram: link do cardápio na bio e nos stories, avisando que o preço ali é melhor.
  • Em anúncio na sua região, levando direto pro cardápio digital.
  • Na lista do WhatsApp, com o contato de quem já pediu direto e topou receber novidade.

Funciona. Uma pizzaria atendida pela Sande Labs recebeu 1.442 pedidos pelo cardápio próprio em julho de 2026, vindos de anúncio, a R$ 4,41 cada. Bem menos do que a comissão de um único pedido no app.

Juntando as partes

Cada canal tem um papel. O iFood é a vitrine: atrai quem ainda não te conhece, com um preço que já cobre a taxa. O cardápio digital é a casa: é pra onde vai quem gostou da comida, com preço melhor e sem comissão.

O erro é tratar os dois como rivais. Quem sai do iFood perde a vitrine. Quem fica só no iFood paga aluguel pra sempre pelo mesmo cliente.

Então, vale a pena sair do iFood?

Não. Vale ficar, com o preço certo, e usar o app como porta de entrada. A cada pedido que chega por lá, a meta é uma só: fazer esse cliente pedir pelo seu cardápio da próxima vez.

Com o tempo, a proporção muda. Mais pedidos entrando pelo seu canal, mais lucro ficando no seu caixa, e o iFood fazendo o que ele faz melhor: trazer gente nova.

Perguntas frequentes

Quanto o iFood cobra por pedido?

Segundo a página oficial do iFood para parceiros, de junho de 2026: 12% no plano Básico e 23% no plano Entrega, mais 3,2% quando o cliente paga pelo app. Quem vende mais de R$ 1.800 por mês paga também uma mensalidade. Os valores podem variar por região.

Posso cobrar mais caro no iFood do que no meu cardápio?

Muitos restaurantes fazem isso pra cobrir a comissão do app, repassando parte da taxa ou ela toda pro preço. Antes de mudar, confira as regras do contrato do seu plano.

Por que o cliente compra no iFood mesmo com o preço mais alto?

Porque o app dá cupom, frete grátis e vantagens de clube, que muitas vezes compensam a diferença. E porque é cômodo: o cliente já tem o app instalado e o cartão cadastrado.

Vale ter cardápio digital próprio se eu já estou no iFood?

Vale. No cardápio próprio não tem comissão, então dá pra cobrar menos e ainda lucrar mais por pedido. É pra lá que deve ir o cliente que já conhece e gosta da sua comida.

Como levar o cliente do iFood pro meu cardápio digital?

Mostrando a vantagem: preço melhor no seu canal, link do cardápio no Instagram, anúncio na sua região levando direto pro cardápio e uma lista no WhatsApp com quem topou receber novidade.

Quer mais pedidos pelo seu cardápio digital?

A Sande Labs olha o seu delivery e a sua região, e mostra quanto custaria trazer pedidos pelo seu canal próprio antes de você colocar dinheiro em anúncio. Sem custo, resposta em até 30 minutos.

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João Sande

Quem escreveu

João Sande, fundador da Sande LabsAdministrador de formação, MBA em Gestão de Tráfego Pago, certificado em Meta Ads e Google Ads. Mais de cinco anos de marketing digital e mais de trinta negócios atendidos.