Segunda-feira, 19h. Primeira aula da turma nova.
Vinte cadeiras. Oito ocupadas.
O professor e o aluguel da sala custam o mesmo.
E na secretaria a pergunta de sempre: abre assim ou adia?
Quase nunca é falta de interessado. É calendário. E dá pra mudar a partir de amanhã, só com o WhatsApp da secretaria.
A resposta depende de três coisas:
- Por que a turma abre pela metade.
- Quantos interessados a sua turma precisa.
- O que fazer, começando pelo mais simples.
1. Por que a turma abre pela metade
Quem procura curso profissionalizante é adulto, trabalha e tem conta pra pagar. Antes do sim, precisa resolver três coisas:
- O horário. Trocar turno no trabalho, achar quem fique com as crianças.
- O dinheiro. Ver se a parcela cabe, esperar o salário cair.
- A coragem. "Será que eu dou conta? Será que vale a pena?"
Isso leva semanas. Se o curso divulga a turma uma semana antes do início, o interessado gosta, mas não dá tempo de arrumar a vida. "Fico pra próxima."
É como excursão pra praia.
O organizador que avisa na quinta pra viagem de sábado volta com o ônibus vazio. Não é que ninguém queria ir. É que ninguém conseguiu se organizar.
Quem enche o ônibus avisa com um mês e liga de novo perto da data. E sabe quantas pessoas precisam perguntar pro ônibus encher.
2. Quantos interessados a sua turma precisa
Nem todo mundo que pergunta se matricula. Então a pergunta certa é "quantas conversas eu preciso". Um exemplo com números redondos.
Imagina um curso de informática com turma de 20 vagas. Pra pagar professor e sala, a turma precisa de pelo menos 12 alunos.
Agora olha o histórico da secretaria: de cada 10 pessoas que perguntam, umas 3 se matriculam.
Pra chegar em 12 matrículas, o curso precisa de umas 40 conversas.
Em quatro semanas, são 10 conversas por semana. Em uma semana só, seriam 40 de uma vez. Aí não dá.
Não sabe o seu "3 em 10"? Anote numa planilha: nome, telefone, curso, data e se matriculou.
Na segunda turma você já tem o seu número. E a planilha vira o maior patrimônio do curso.
3. O que fazer, começando do zero
Não precisa fazer tudo de uma vez. Vai por degraus, cada um já traz aluno sozinho.
Degrau 1: a lista da próxima turma
Toda pessoa que pergunta e não fecha entra na lista, com o curso que quer e o motivo: "não deu o horário", "esperando o salário".
Quem já perguntou uma vez está muito mais perto do sim do que qualquer desconhecido.
Degrau 2: responder o "quanto custa?" com data e vaga
Responder só com o valor faz a pessoa comparar com o curso da outra rua e sumir. Junto do valor, vai o que faz decidir: data, horário e vagas.
"Oi, Ana! O curso de Auxiliar Administrativo começa dia 10/03, segunda e quarta, das 19h às 21h. São 6 parcelas de R$ 180, material incluso. A turma tem 20 vagas. Reservo a sua?"
Se não der agora: "Sem problema! Posso te avisar quando abrir a próxima turma?" Disse sim, entrou na lista.
Degrau 3: avisar a lista quatro semanas antes
Turma nova confirmada, quem está na lista sabe primeiro. Antes do Instagram e do anúncio.
"Oi, Carlos! Você pediu pra eu avisar: abriu a turma de Eletricista Residencial, dia 07/04, terça e quinta à noite. Estou passando pra quem pediu antes de divulgar. Quer sua vaga?"
Duas semanas antes do início, um segundo aviso, só pra quem não respondeu:
"Carlos, a turma começa dia 07/04 e ainda tem vaga. Se o horário ficou difícil, me conta que eu vejo outra opção pra você."
Nenhuma inventa urgência. "Últimas vagas" só quando forem as últimas.
Degrau 4: o ex-aluno que indica
Quem se formou com você conhece gente parecida: mesmo bairro, mesmo trabalho. Mande pros formados das últimas turmas:
"Oi, Júlia! Vai abrir turma nova do curso que você fez, começando dia 10/03. Conhece alguém que estava querendo estudar? Pode passar meu contato, que eu atendo com todo cuidado."
Sem brinde. Agradecimento por indicação pode vir depois, mas comece pelo pedido.
Degrau 5: aparecer pra quem procura na cidade
Quem quer fazer curso de enfermagem, de barbeiro ou de informática procura no Google, com o nome da cidade.
O perfil no Google precisa estar completo: endereço, horário, fotos reais da sala e os cursos listados.
O anúncio vem por último: liga três a quatro semanas antes da turma e desliga quando ela fecha. Cada turma, uma campanha com começo e fim.
O jeito que a Sande Labs trabalha com cursos está na página de tráfego pago para escolas e cursos.
Degrau 6: deixar as regras claras por escrito
Primeiro: escreva na ficha de inscrição o mínimo de alunos e o que acontece se a turma não abrir.
Por exemplo: o aluno escolhe a próxima turma ou recebe o valor de volta. Confira o texto com um advogado e com o Código de Defesa do Consumidor.
Segundo: não prometa emprego. "Saia empregado" é promessa que o curso não controla.
O CDC (art. 37) trata como enganosa a publicidade que induz o consumidor a erro. Mostre o que a pessoa aprende e onde dá pra trabalhar com isso.
Juntando as partes
A turma abre pela metade porque o adulto precisa de tempo e o curso divulga em cima da hora. A conta mostra por que uma semana não basta. E os degraus:
- A lista guarda quem já quis estudar.
- Data e vaga viram a pergunta de preço em reserva.
- Quatro semanas dão tempo de arrumar a vida.
- O ex-aluno traz gente parecida.
- Google e anúncio completam o resto.
Então, como encher a turma do curso profissionalizante?
Começando amanhã, pela planilha.
Rola as conversas do WhatsApp dos últimos três meses e anota quem perguntou e não fechou.
Depois conta quatro semanas pra trás a partir da próxima turma. É ali que começa a divulgação.
Muitas vezes o curso não precisa de mais interessados. Precisa chamar de volta, no tempo certo, quem já levantou a mão.
Perguntas frequentes
Com quanto tempo de antecedência divulgar uma turma nova de curso?
Umas quatro semanas antes do início é um bom ponto de partida. Quem procura curso profissionalizante costuma ser adulto e precisa de tempo pra ajustar horário de trabalho, família e orçamento antes de se matricular.
Quantos alunos precisa para abrir uma turma?
Depende do custo de cada turma: professor, sala, material. Some esses custos, divida pelo valor que cada aluno paga e você tem o mínimo. Esse número precisa estar escrito na ficha de inscrição, junto com o que acontece se a turma não abrir.
O que responder quando perguntam o preço do curso no WhatsApp?
Mande o valor junto com a data de início, o horário, a duração e quantas vagas a turma tem, e termine perguntando se a pessoa quer reservar. Se ela não puder agora, peça permissão pra avisar quando abrir a próxima turma.
O que fazer quando a turma não fecha o mínimo de alunos?
Siga o que foi combinado por escrito na inscrição, como transferir pra próxima turma ou devolver o valor pago. Avise cada aluno pessoalmente e com antecedência. Se o combinado não existia, converse com um advogado antes de decidir.
Curso profissionalizante pode anunciar que o aluno sai empregado?
Não é uma boa ideia. Emprego depende do mercado e do aluno, não só do curso, e o Código de Defesa do Consumidor trata como enganosa a publicidade que leva o consumidor a erro. O anúncio pode mostrar o que se aprende e as áreas onde a profissão trabalha.
Quer saber onde o seu curso está perdendo aluno?
A Sande Labs olha o caminho inteiro, do primeiro contato à matrícula, e mostra onde o interessado está escapando: na divulgação, na resposta do WhatsApp ou no calendário da turma. Sem custo, resposta em até 30 minutos.
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Quem escreveu
João Sande, fundador da Sande LabsAdministrador de formação, MBA em Gestão de Tráfego Pago, certificado em Meta Ads e Google Ads. Mais de cinco anos de marketing digital e mais de trinta negócios atendidos.