O médico abre o Instagram de um colega.
Selfie no consultório, valor da consulta no destaque, anúncio rodando na cidade.
E pensa: "isso pode?"
Pode, sim. A regra mudou.
A Resolução CFM 2.336/2023 foi publicada no Diário Oficial em 13 de setembro de 2023 e vale desde 11 de março de 2024. Ela trocou a regra antiga, de 2011.
O que dá pra anunciar hoje depende de três coisas:
- Quem assina o anúncio: a identificação obrigatória.
- O que o anúncio pode dizer, e o que continua proibido.
- Onde ele vai rodar: a regra da Meta e o cuidado com imagem de paciente.
1. Quem assina o anúncio
Comece pelo que é obrigatório. O artigo 4º manda toda peça de publicidade trazer:
- Nome do médico.
- Número do CRM, acompanhado da palavra MÉDICO.
- Especialidade com o número do RQE, se ela for registrada no CRM.
Pensa na placa da porta do consultório.
Ninguém entra numa sala sem saber de quem é. No Instagram, a placa é a bio. O artigo 6º diz que esses dados ficam na página principal do perfil.
A armadilha de quem não tem RQE
Quem fez pós-graduação, mas não tem título de especialista, pode citar o curso, se ele estiver cadastrado no CRM.
Do jeito que a resolução manda: "MÉDICO com pós-graduação em (área)", seguido de NÃO ESPECIALISTA, em caixa alta.
E não pode anunciar que trata um órgão ou doença específica (artigo 11, inciso I).
"Médico do coração" sem RQE de cardiologia é problema.
Modelo de bio pra copiar
"Dr. [Nome Sobrenome], MÉDICO, CRM-[UF] 00000. [Especialidade], RQE 0000. Consultório em [bairro], [cidade]. Agende pelo link."
Sem RQE: "Dr. [Nome Sobrenome], MÉDICO, CRM-[UF] 00000, com pós-graduação em [área], NÃO ESPECIALISTA."
Com a placa no lugar, vem a parte que mais mudou: o que o anúncio diz.
2. O que o anúncio pode dizer
O que passou a poder
As permissões que mais importam estão no artigo 9º:
- Foto e vídeo do consultório, da equipe e do próprio médico. Selfie também (artigo 8º).
- Como marcar, horários, estacionamento, convênios aceitos.
- Valor da consulta e formas de pagamento.
- Desconto em campanha, sem venda casada nem prêmio.
E o artigo 13 permite comprar espaço publicitário pra aumentar a clientela. Anúncio pago no Instagram e no Google está liberado.
O que continua proibido
O artigo 11 segue firme em vários pontos:
- Garantir, prometer ou insinuar bom resultado. "Volte a dormir bem em 30 dias" cai aqui.
- Sensacionalismo e autopromoção. Se colocar acima dos colegas, "a técnica mais avançada da cidade".
- "Melhor médico", "médico do ano" e premiação parecida.
- Venda casada. A própria resolução dá o exemplo: "faça a consulta e ganhe o exame".
A armadilha da consulta grátis
Essa quase ninguém conta.
O artigo 11, parágrafo 4º, chama de concorrência desleal "anunciar a prestação de serviços médicos gratuitos em seu consultório privado".
Desconto em campanha pode. Consulta de graça no consultório particular, não.
É como a feira de rua. Baixar o preço da banca é do jogo. Dar a mercadoria de graça pra esvaziar a banca do vizinho, não é.
O "primeira avaliação grátis" entra aqui.
Lado a lado: não pode e pode
Não pode: "Cansado de não dormir? O melhor tratamento da cidade, resultado em 30 dias. Primeira consulta grátis!"
Promete resultado, se diz o melhor, oferece consulta grátis. E pergunta da condição de quem lê.
Pode: "Atendimento em medicina do sono para adultos, em [bairro], [cidade]. Consultas particulares e por [convênios]. Dr. [Nome], MÉDICO, CRM-[UF] 00000, [especialidade], RQE 0000."
O texto certo já passa no CFM. Agora falta passar na plataforma.
3. Onde o anúncio vai rodar
A régua da Meta
A política de atributos pessoais da Meta (consultada em 18 de outubro de 2026) proíbe anúncio que sugira saber a condição de saúde de quem está vendo.
Os exemplos são dela. "Do you have diabetes?" (você tem diabetes?) é barrado. "New diabetes treatment available" (novo tratamento de diabetes disponível) passa.
"Você sofre de enxaqueca?" pode passar no CFM e ser reprovado na Meta.
Antes e depois: pode, mas não é vitrine
A resolução liberou imagem de paciente, inclusive antes e depois. Mas só com finalidade educativa, e o artigo 14 cobra muito:
- Texto com indicações e complicações descritas na literatura.
- Evoluções boas, ruins e complicações. Não só o caso bonito.
- Sem edição e sem identificar o paciente, mesmo com autorização.
Pensa numa bula.
Ela mostra pra que serve o remédio e também os efeitos colaterais. O antes e depois do CFM é bula, não vitrine.
Por isso a Sande Labs não usa antes e depois em anúncio de saúde. Conteúdo que explica quando procurar o médico faz o trabalho sem esse risco.
Juntando as partes
Quem assina: nome, CRM com a palavra MÉDICO, especialidade com RQE. Na bio e em cada peça.
O que diz: serviço, lugar, equipe, valor e forma de pagamento podem. Promessa, "melhor", venda casada e consulta grátis, não.
Onde roda: na Meta, falar do serviço, nunca da condição de quem lê.
Checklist antes de publicar
- Tem nome, CRM com a palavra MÉDICO e, se for o caso, RQE? (coloca)
- Cita especialidade ou órgão sem ter RQE? (tira, ou usa "NÃO ESPECIALISTA" na pós)
- Promete ou insinua resultado, prazo ou cura? (tira)
- Usa "melhor", "único", "mais avançado"? (tira)
- Oferece consulta grátis ou brinde junto? (tira)
- Pergunta ou afirma a condição de quem lê? (reescreve falando do serviço)
- Tem imagem de paciente? (confere o artigo 14 inteiro, ou não usa)
Então, o que o médico pode anunciar?
Pode anunciar o consultório, a equipe, o serviço, o valor e como marcar. Com anúncio pago, no Instagram e no Google.
Se uma agência fizer o anúncio, quem responde no CRM é o médico (artigo 3º). Leia cada peça antes de ir ao ar.
Até 18 de outubro de 2026, a 2.336/2023 seguia como a regra em vigor. O CFM mantém um site com o manual de publicidade médica. Na dúvida, a Codame do seu CRM responde consulta.
Perguntas frequentes
Médico pode fazer anúncio pago no Instagram?
Pode. O artigo 13 da Resolução CFM 2.336/2023 permite comprar espaço publicitário e anunciar nas redes próprias pra formar, manter ou aumentar a clientela. O anúncio precisa trazer nome, CRM com a palavra MÉDICO e, se houver, especialidade com RQE.
Médico pode divulgar o valor da consulta?
Pode. O artigo 9º permite informar o valor da consulta e as formas de pagamento, e anunciar desconto em campanha promocional. A venda casada continua proibida, como "faça a consulta e ganhe o exame".
Médico pode oferecer consulta grátis no anúncio?
No consultório particular, não. A Resolução CFM 2.336/2023 considera concorrência desleal anunciar serviço médico gratuito em consultório privado (artigo 11, parágrafo 4º). Desconto em campanha é permitido, gratuidade não.
Médico pode postar antes e depois?
Só com finalidade educativa e seguindo o artigo 14: texto com indicações e complicações, conjunto de imagens com resultados bons e ruins, sem edição e sem identificar o paciente. Na prática, é bem mais exigente do que a foto de vitrine que se vê por aí.
Médico sem especialidade pode anunciar pós-graduação?
Pode, se o curso estiver cadastrado no CRM, no formato "MÉDICO com pós-graduação em (área)" seguido de NÃO ESPECIALISTA em caixa alta. Ele não pode anunciar que trata um órgão ou doença específica, pra não confundir com especialidade.
Quer anunciar o consultório sem dor de cabeça com o CRM?
A Sande Labs olha a especialidade, a cidade e o que já existe no perfil, e mostra por onde faz sentido começar, com o texto dentro da Resolução CFM 2.336/2023 e das regras da Meta. Sem custo, resposta em até 30 minutos.
Quero meu diagnóstico gratuito
Quem escreveu
João Sande, fundador da Sande LabsAdministrador de formação, MBA em Gestão de Tráfego Pago, certificado em Meta Ads e Google Ads. Mais de cinco anos de marketing digital e mais de trinta negócios atendidos.