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Blog · Tráfego pago · Psicologia

Psicólogo pode anunciar no Instagram? O que diz o CFP, e a regra da Meta que quase ninguém conta

João Sande Por João Sande, fundador da Sande Labs · 17 de outubro de 2026 · 7 minutos de leitura
Resposta curta: pode. Nem o Código de Ética nem a Nota Técnica CFP 1/2022 proíbem anúncio pago: a psicóloga escolhe o meio de divulgação. O que tem regra é o conteúdo. Nome completo, "psicóloga" ou "psicólogo", CRP e número sempre. Preço, desconto, sorteio, promessa de resultado e depoimento, nunca. E a Meta ainda barra anúncio que afirma a condição de saúde de quem lê.

A psicóloga posta toda semana.

Conteúdo bom, cuidadoso, bem escrito.

Aí aparece o botão azul: "Turbinar publicação".

E vem a dúvida: "posso pagar pra isso aparecer? Ou isso vira propaganda e o CRP me chama?"

Muita gente para aí.

A resposta depende de três coisas:

  1. Quem aparece no anúncio: a identificação que o CFP exige.
  2. O que o anúncio diz: as regras do CFP e as da própria Meta.
  3. Quem você mostra e o que acontece depois do clique.

1. Quem aparece no anúncio

Primeiro, o ponto que tira o medo.

A Nota Técnica CFP 1/2022, assinada em 21 de junho de 2022, diz que a psicóloga tem "autonomia para escolher os meios de divulgação".

Não existe proibição de anúncio pago. Nem no Instagram, nem no Google.

O que existe é uma regra de identificação, no artigo 20 do Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP 10/2005).

Ao promover os serviços, por qualquer meio, a psicóloga informa:

  • Nome completo (ou nome social). Apelido pode, desde que venha junto.
  • O título "psicóloga" ou "psicólogo".
  • O CRP e o número de registro.

Pensa no crachá de um hospital.

Ninguém estranha o médico de crachá. Estranha quem circula de jaleco sem ele.

No anúncio é igual. A identificação não atrapalha, ela dá confiança.

Identificada a pessoa, vem a parte em que quase todo mundo escorrega: o texto.

2. O que o anúncio diz

Aqui são duas réguas ao mesmo tempo. A do CFP e a da Meta.

A régua do CFP

O mesmo artigo 20 e a Nota Técnica deixam de fora:

  • Preço como propaganda. A nota cita os termos: "preço social", "atendimento social", "desconto", "pacote promocional", "valor acessível".
  • Cupom e sorteio. Proibidos com todas as letras.
  • Previsão taxativa de resultado. "Supere a ansiedade em 8 sessões" cai aqui.
  • Sensacionalismo. Drama pra prender o clique.
  • Autopromoção em cima de colega. "A única abordagem que funciona."
  • Título que você não tem. Só entra a formação que existe.

O que a nota libera é bastante: formação, público que você atende, abordagem e forma de trabalho. Convênio com instituição também pode.

A régua da Meta, que pouca gente conhece

A política de atributos pessoais da Meta (consultada em 17 de outubro de 2026) proíbe anúncio que afirme ou sugira a saúde física ou mental de quem está vendo.

Os exemplos são da própria Meta. "Depression counseling" (atendimento pra depressão) passa. "Depression getting you down? Get help now." (a depressão está te derrubando?) é barrado.

Imagina entrar numa loja e o vendedor dizer: "vi que você está triste, entra aqui".

Mesmo que seja verdade, incomoda. É isso que a Meta quer evitar.

E é assim que muita gente escreve anúncio de psicologia: "Você sofre de ansiedade?".

Passa no CFP, tranquilo. É reprovado na Meta.

Lado a lado: pode e não pode

Não pode: "Sofre de ansiedade? Terapia com valor acessível. Primeira sessão com desconto."

Reprova nas duas réguas: afirma a condição de quem lê e usa preço como chamariz.

Pode: "Atendimento psicológico para adultos com ansiedade, em [Cidade] e online. Terapia cognitivo-comportamental. [Nome completo], psicóloga, CRP 00/00000."

O segundo fala do serviço, não de quem está do outro lado da tela.

Pode também, num post impulsionado: "3 sinais de que a preocupação passou do normal, e quando vale procurar ajuda. Salva este post. [Nome completo], psicóloga, CRP 00/00000."

Quem salva um post desses é exatamente quem pode precisar de terapia. Você não precisou pedir pra ser procurada.

Pra entender o que o botão de turbinar faz por trás, vale ler se impulsionar post no Instagram vale a pena.

O texto certo traz a pessoa. Mas tem mais duas coisas que ela vai ver.

3. Quem você mostra e o que acontece depois do clique

Depoimento e foto de paciente

A Nota Técnica é direta: na publicidade, não usar depoimento nem foto de quem você atende.

Com consentimento por escrito, ela diz que é "permitida, mas não recomendada". Principalmente com criança e adolescente.

Também fica de fora caso, diagnóstico ou orientação que identifique alguém, por causa do sigilo (artigo 9º do Código).

Na dúvida, não usa. Conteúdo que ensina convence mais e não expõe ninguém.

A conversa no WhatsApp

A pessoa clicou. Agora ela está do outro lado, provavelmente com receio.

Uma primeira resposta que funciona:

"Oi, [nome]! Aqui é [seu nome], psicóloga. Que bom que você escreveu. Se quiser, me conta em poucas palavras o que te trouxe aqui e se prefere presencial ou online. Fica entre nós."

Sem pressa e sem prometer nada.

E se ela perguntar o valor? Na conversa particular, informar é transparência.

A Nota Técnica CRP-12 1/2024 lembra que condição de pagamento se combina de forma privada. O que não pode é usar o preço pra atrair.

Juntando as partes

Quem aparece: nome completo, "psicóloga" ou "psicólogo", CRP e número, em todo anúncio.

O que diz: fala do serviço, não da condição de quem lê. Sem preço, promessa, sorteio ou comparação.

Quem você mostra: ninguém que você atende. E a conversa depois do clique segue o mesmo cuidado.

Checklist pra colar do lado do computador

  • Tem nome completo, "psicóloga" ou "psicólogo", CRP e número? (coloca)
  • Tem preço, desconto, "valor social", cupom ou sorteio? (tira)
  • Promete resultado ou número de sessões? (tira)
  • Pergunta ou afirma a condição de quem lê, tipo "você sofre de..."? (reescreve falando do serviço)
  • Tem depoimento, foto ou caso de paciente? (tira)
  • Compara com colega ou com outra abordagem? (tira)
  • Cita só título que você tem? (confere)

Então, psicólogo pode anunciar no Instagram?

Pode. E com o texto certo, sem medo do CRP e sem anúncio reprovado.

Comece impulsionando os posts que já ensinam alguma coisa. Depois, teste um anúncio que descreve o seu atendimento.

E se uma agência fizer o anúncio, a Nota Técnica avisa: quem responde é a psicóloga. Leia cada um antes de ir ao ar.

Até 17 de outubro de 2026, a Nota Técnica CFP 1/2022 seguia como a orientação nacional sobre redes sociais.

Antes de lançar, confira se saiu algo novo. Na dúvida, fale com a orientação do seu CRP.

Perguntas frequentes

Psicólogo pode fazer tráfego pago?

Pode. A Nota Técnica CFP 1/2022 diz que a psicóloga tem autonomia para escolher os meios de divulgação, desde que o conteúdo siga o Código de Ética. Isso vale pra Instagram, Facebook e Google.

Psicólogo pode colocar o valor da sessão no anúncio?

Não como propaganda. O artigo 20 do Código de Ética proíbe usar o preço como forma de propaganda, e a Nota Técnica CFP 1/2022 cita termos como "desconto", "valor acessível" e "preço social". Informar o valor numa conversa particular é diferente de usar o preço pra atrair.

Por que meu anúncio de psicologia foi reprovado no Instagram?

Muitas vezes por causa da política de atributos pessoais da Meta, que proíbe afirmar ou sugerir a saúde mental de quem vê o anúncio. Frases como "você sofre de ansiedade?" costumam ser barradas. Reescreva falando do serviço: "atendimento psicológico para adultos com ansiedade".

Psicólogo pode postar depoimento de paciente?

A Nota Técnica CFP 1/2022 orienta a não usar depoimentos nem fotos de pessoas atendidas. Com consentimento expresso por escrito, é permitido, mas não recomendado, principalmente com crianças e adolescentes.

O que precisa aparecer no perfil e no anúncio do psicólogo?

Nome completo ou nome social, o título "psicóloga" ou "psicólogo", o CRP em que está inscrita e o número de registro. A regra é do artigo 20 do Código de Ética e vale pra qualquer meio de divulgação.

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João Sande

Quem escreveu

João Sande, fundador da Sande LabsAdministrador de formação, MBA em Gestão de Tráfego Pago, certificado em Meta Ads e Google Ads. Mais de cinco anos de marketing digital e mais de trinta negócios atendidos.